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Suíça prepara nova arma contra crimonosos sexuais

O caso Fourniret demonstra a falta de cooperação entre as polícias européias. Keystone Archive

A polícia suíça prepara um sistema de informação baseado nos traços psicológicos dos criminosos. ViCLAS é um novo instrumento para lutar contra a pedofilia e os crimes sexuais.

Este conteúdo foi publicado em 27. julho 2004 - 14:57

Os casos Dutroux e Fourniret, na Bélgica e na França, demonstraram a necessidade de uma melhor colaboração entre as polícias.

Depois do banco de dados ADN para identificar as impressões genéticas, a polícia suíça passará a dispor de um banco de dados com as impressões psicológicas dos criminosos.

Intitulado ViCLAS (Violent Crime Linkage Analysis System), ele permitirá intervenções mais rápidas contra os maníacos sexuais e os assassinos seriais.

Violência física, tentativa de estupro e homicidas sexuais, pessoas desaparecidas e cadáveres não identificados, desde o ano passado são miuciosamente examinados por uma quinzena de policiais especializados.

Com base num formulário de 168 ítens, cada detalhe é digitado nos computadores na sede da ViCLAS, integrada à polícia estadual de Berna ou nas filiais de Fribourg, Lucerna, Zurique e St-Gallen.

Até agora, 500 casos foram fichados dessa maneira. Dentro de alguns anos serão milhares e o sistema começará então a ser eficaz.

A assinatura do criminoso

«As informações recolhidas por ViCLAS permitirão estabeler ligações entre criminosos de diferentes regiões e que agem em momentos diferentes", explica Rico Galli, da polícia estadual de Berna.

Esse instrumento servirá também para identificar os psicopatas sexuais perigosos como Marc Dutroux e Michel Fourniret (dois casos recentes na Bélgica e França), que são verdadeiros quebra-cabeças para a polícia e a justiça.

Os "crimes clássicos" são geralmente movidos por dinheiro, vingança, ciúme etc. Os assassinos seriais agem de maneira impulsiva e por isso escolhem as vítimas ao acaso.

Freqüentemente, a única pista para as investigações é um perfil resultante da comparação entre vários casos. "O criminoso sexual geralmente deixa uma espécie de assinatura e é importante comparar atentamente todas essas informações", afirma Frank Urbaniok, chefe do serviço de psiquiatria judiciária do cantão de Zurique.

Tendência a recidivar

O interesse da ViCLAS é ainda maior porque muitos delinqüentes sexuais tem tendência à recidiva. Dutroux et Fourniret já haviam sido presos por delitos sexuais "menores" antes de serem descobertos como criminosos.

"Mais da metade dos criminosos sexuais tinham antecedentes policiais por antigos delitos", confirma Frank Urbaniok. "Quando analisamos a trajetória pessoal, a maioria dos delinqüentes sexuais já tinha um passado criminal", acrescenta.

As informações recolhidas por ViCLAS poderão portanto ser utilizadas para a busca de criminosos mas também para avaliar o grau de periculosidade e evitar que sejam rapidamente colocados em liberdade.

Falta de colaboração

O banco de dados foi criado também para reforçar a troca de informações entre as 26 polícias estaduais na Suíça e com as polícias dos países da União Européia.

Enquanto as investigações são dificultdas por obstáculos nacionais, o crime não tem fronteira, como demonstrou recentemente o caso Founiret. O criminoso já havia sido condenado na França e continuou cometendo crimes do outro lado da fronteira, na Bélgica, sem que as autoridades belgas fossem avisadas.

Há apenas alguns dias, vários países europeus pedem a organização urgente de um registro penal comum.

Aderindo aos acordos de Schengen, a Suíça poderá ter acesso a esse registro da UE. Antes disso, porém, ele precisa suplantar as barreiras estaduais porque a criminalidade sexual não é da alçada federal.

"As lacunas verificadas entre a França e a Bélgica também podem ocorrer na Suíça entre os diferentes cantões", sublinha Daniel Laubscher, da Secretaria Federal de Estatísticas.

Até agora, não existe sequer estatísticas nacionais sobre os crimes sexuais não solucionados. A lacuna deverá ser preenchida pelo sistema ViCLAS.

swissinfo, Armando Mombelli
Tradução: Claudinê Gonçalves

Fatos

1989:Michel Peiry foi condenado à prisão perpétua por assassinato de cinco jovens.
1995: o suíço Werner Ferrari foi à prisão perpétua pelo assassinato de cinco crianças.
2004: fim do processo Dutroux, início do caso Fourniret, que reconhece ter assassinado pelo menos dez pessoas.

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Breves

- O sistema de informação ViCLAS (Violent Crime Linkage Analysis System) funciona há alguns anos no Canadá.

- Como os resultados foram positivos, o sistema foi adotado na Alemanha, Suécia, Holanda e Suíça.

- Até agora, as polícias estaduais catalogaram 500 casos de criminalidade sexual.

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