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Suíça levanta a maioria das restrições da Covid-19

A partir de 17 de fevereiro, as pessoas na Suíça não terão mais que apresentar um certificado Covid para entrar em bares ou restaurantes. Keystone / Laurent Gillieron

O governo suíço decidiu abandonar a maioria das restrições do coronavírus a partir de quinta-feira, pois os níveis recordes de infecções desencadeadas pela variante ômicron não se traduziram em um pico de hospitalizações.

Este conteúdo foi publicado em 17. fevereiro 2022 - 11:42
swissinfo.ch/ets

"A Suíça está dando um passo decisivo e importante rumo à normalidade", disse Ignazio Cassis, que detém a presidência rotativa da Suíça este ano, aos repórteres em Berna na quarta-feira.

A partir de quinta-feira, as pessoas na Suíça não precisarão mais mostrar um certificado Covid para entrar em bares, restaurantes e outros locais fechados, como instalações esportivas, teatros ou salas de concertos. O controverso passe tinha sido usado para provar que seu titular estava vacinado, tinha feito testes negativos ou tinha se recuperado do vírus.

No entanto, as autoridades continuarão a fornecer certificados Covid, reconhecidos pela União Européia, para os residentes suíços que desejem viajar ao exterior.

O governo também anunciou na muito esperada entrevista coletiva em Berna que não haveria mais restrições quanto ao tamanho das reuniões privadas na Suíça, enquanto grandes eventos não teriam mais que solicitar autorizações. 

As máscaras não serão mais obrigatórias nas escolas, lojas, salas de concertos ou no trabalho. Mas continuarão sendo obrigatórias até o final de março nos transportes públicos e nos estabelecimentos de saúde. O governo também manteve em vigor a exigência de que as pessoas que apresentarem resultados positivos para o Covid-19 fiquem em isolamento por cinco dias.

Essas duas medidas restantes têm por objetivo proteger os mais vulneráveis, disse o governo. Mas se a situação do vírus melhorar, elas poderão ser levantadas antes do final de março. 

Ampla aprovação

A decisão de quarta-feira segue-se a consultas com os cantões, o parlamento e as organizações pertinentes, todas elas apoiando o levantamento imediato das restrições, mantendo a exigência de máscara para circunstâncias especiais. Os cantões ainda têm a possibilidade de introduzir medidas mais rigorosas, se necessário.

O governo suíço havia imposto restrições rigorosas à Covid a partir de outubro de 2021, após um surto em casos da variante mais contagiosa ômicron, mas desde então as tem flexibilizado progressivamente.

As regras de quarentena e uma ordem de trabalho de casa (home office) terminaram no dia 3 de fevereiro. Todas as exigências de teste e quarentena para pessoas que entraram na Suíça também foram adaptadas no final de janeiro. A partir de quinta-feira, as medidas relacionadas com a saúde das pessoas que entram no país devem ser levantadas. Não será mais necessário apresentar prova de vacinação, recuperação ou teste negativo ou preencher um formulário de entrada, disse o governo.

No entanto, a Secretaria de Estado das Migrações (SEM) confirma que a decisão do Conselho Federal de levantar as medidas relacionadas com a saúde na fronteira na entrada, a partir de 17 de fevereiro, "não altera as contínuas exigências de entrada relacionadas com a pandemia para os nacionais de países terceiros".

Diz que os viajantes devem continuar a verificar nos sites oficiais do governo TravelcheckLink externo ou da Secretaria de Estado para MigraçãoLink externo (SEM) para ver se preenchem todos os requisitos para entrar na Suíça.

A Suíça segue vários outros países europeus, tais como Dinamarca, Grã-Bretanha, França e Holanda, que têm afrouxado gradualmente as medidas da Covid nas últimas semanas.

A situação atual

O número de novas infecções por coronavírus aumentou acentuadamente na Suíça a partir de meados de outubro de 2021, quando o clima mais frio trouxe mais pessoas para dentro e a variante ômicron se espalhou. No dia 8 de fevereiro, especialistas em saúde anunciaram que o número de novas infecções havia finalmente atingido o pico. Desde então, elas vêm caindo de maneira constante.

Um total de 21.032 novos casos foram relatados na quarta-feira. O número médio diário de sete dias caiu quase um quarto em comparação com a semana anterior.

"A situação epidemiológica continua a evoluir positivamente", disse o governo em uma declaração. "Graças ao alto nível de imunidade da população, é improvável que o sistema de saúde seja sobrecarregado, apesar do alto nível contínuo de circulação do vírus".

"Isso significa que as condições estão criadas para uma rápida normalização da vida social e econômica", acrescentou.

Mais de 90% da população suíça de 8,6 milhões de pessoas desenvolveu uma certa imunidade ao vírus, tendo se recuperado de uma infecção ou tendo sido vacinada, observaram as autoridades.

Mais de 12.200 pessoas morreram de Covid na Suíça. Cerca de 68% da população recebeu duas doses de vacina.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselhou uma abordagem cautelosa em relação ao levantamento das restrições, observando que muitos países não atingiram seu pico em casos de ômicron.

Na terça-feira, a OMS disse que as autoridades sanitárias estão voltando sua atenção para as taxas crescentes de infecção por Covid-19 na Europa oriental, onde seis países - incluindo a Rússia e a Ucrânia - viram duplicar o número de casos nas últimas duas semanas.

Reações ao levantamento das restrições à Covid-19

"Não devemos ter medo de um retorno à normalidade, mas também não devemos ser muito entusiastas", disse o Presidente suíço Ignazio Cassis.

"Aprendemos muito com a crise, e foi difícil e árduo. Mas o vírus não vai desaparecer", disse o Ministro da Saúde, Alain Berset.

"Esperamos muito tempo por este momento", disse a Gastrosuisse, a federação nacional de hotéis e restaurantes.

"Há um grande suspiro de alívio no mundo da vida noturna suíça", Comissão de bares e clubes da Suíça.

"Podemos agora... dar um grande passo rumo à normalidade", Conferência dos Diretores de Saúde Cantonal.

"É a vitória do senso comum e da pressão persistente da comunidade empresarial", Sindicato Suíço de Artes e Comércio.

"Hoje é um dia lindo e alegre", Partido Radical (PLR/FDP).

"Com grande atraso, mas pelo menos de maneira bastante abrangente, o Conselho Federal pôs fim às medidas amplamente arbitrárias, discriminatórias e inúteis do coronavírus. Um passo que já devia ter sido dado há muito tempo", disse o Partido Popular Suíço (UDC/SVP).

"A pandemia não terminou e pode se reacender a qualquer momento. Os cantões devem se preparar com vistas ao outono", disse o Partido Socialista (PS/SP).

"Em suma, a Suíça passou por esses dois anos pandêmicos sem nenhum problema. A confiança nas instituições e na democracia deu provas", disse o presidente do Partido de Centro (Die Mitte, antigo Partido Democrata Cristão), Gerhard Pfister.

"Ninguém está seguro até que todos estejam seguros", Balthasar Glättli, presidente do Partido Verde.

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