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Quando um jornalista se recusa a trabalhar para um oligarca

Imagens de tropas russas aumentam o medo de guerra na Ucrânia, o segundo maior país da Europa. No segundo maior país europeu, a outra batalha é a liberdade de imprensa, como conta um jovem jornalista.

Este conteúdo foi publicado em 16. dezembro 2021 - 10:00

Encontramos Dylan Carter, 24 anos, no coração da capital ucraniana, Quieve. Estamos frente à sede do "Post de Kyiv", um dos mais antigos e renomados jornais de língua inglesa da Europa Oriental.

"Estamos sendo observados", alerta Carter, que é originário de Sheffield, no norte da Inglaterra, e que trabalha na Ucrânia como jornalista há alguns anos. Atrás das altas janelas do prédio do escritório, vários pares de olhos acompanham a conversa. "Há alguns dias outros jornalistas e eu fomos expulsos do prédio depois que o nosso proprietário Adnan Kivan, um oligarca bilionário de Odesa, criticou o nosso trabalho", diz Carter.

Em 8 de novembro, o editor Brian Bonner disse aos 50 membros da equipe, que eles foram demitidos, algo que criou fortes reaçõesLink externo dentro e fora da Ucrânia. No entanto, o pais poderia se beneficiar muito de uma imprensa independente e livre, pois tenta há anos desenvolver uma sociedade civil mais forte e uma democracia participativa.

No início deste ano, o Parlamento ucraniano adotou uma nova lei que rege a moderna democracia direta no país: as reformas serão o tema da Conferência Internacional de Reforma da Ucrânia a ser realizada em Lugano, na Suíça, no início de 2022.

No entanto, não haverá mais um órgão independente de informação em língua inglesa na Ucrânia. "O Kyiv Post foi relançado, mas como um serviço de imprensa para o proprietário do jornal", diz Carter. A série de entrevistas "Vozes globais da liberdade" continua também em 2022. 

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