Navigation

EUA e Rússia iniciam em Genebra conversações sobre Ucrânia

Imagem divulgada pelo ministério russo da Defesa: veículos blindados prontos para embarque em aviões estacionados em um aeroporto nos arredores de Moscou, em 6.1.2022. Russian Defense Ministry Press Service

Diplomatas americanos e russos encontram-se hoje em Genebra para discutir sobre a presença de tropas russas na fronteira com a Ucrânia. Ultimatos de Putin e Biden sobre suas posições na Europa dificultam a chegada de um acordo. Então, o que podemos esperar da reunião?

Este conteúdo foi publicado em 10. janeiro 2022 - 10:55

É a terceira rodada de conversações bilaterais entre os EUA e a Rússia em Genebra desde que o presidente americano Joe Biden e líder russo Vladimir Putin encontraram-se em junho de 2021 em Genebra. A delegação dos EUA é chefiada pela secretária-adjunta de Estado, Wendy ShermanLink externo. A Rússia é representada por outro diplomata veterano: o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov.

"O encontro de cúpula de 1985 entre o presidente americano Reagan e o líder soviético Gorbachev em Genebra marcou o final da Guerra Fria. Agora espera que as próximas conversações entre os dois países tenham a mesma importância. Mas o provável é termos um processo contínuo", afirmou Emilia Nazarenko, jornalista ucraniana baseada em Genebra.

Os representantes baixaram as expectativas nos dias que antecederam o encontro. Os EUA apelaram para que Moscou diminuísse a pressão sobre a Ucrânia. Já Putin ressaltou que "a Rússia não fará concessões". Um porta-voz do governo dos EUA disse à imprensa que não haveria compromissos firmes nestas conversações, mas que elas seriam "sérias e concretas", ou seja, exploratórias.

O encontro em Genebra será seguido por um encontro de cúpula entre a Rússia e os representantes do Tratado do Atlântico Norte (NATO) em Bruxelas na quarta-feira (12.01) e um dia depois em Viena, no contexto da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), da qual a Ucrânia também é membro.

Risco de conflito

A Rússia, que estacionou 100 mil soldados na fronteira com a Ucrânia, diz que não pretende invadir o país. Seu principal objetivo é frear a expansão da OTAN para o leste europeu

O governo americano já descartou algumas das exigências de Moscou, declarando-as como "inviáveis". Em uma ligação telefônica na semana passada com Putin, Biden reiterou que os EUA e seus aliados europeus imporiam sanções se a Rússia invadir a Ucrânia. Putin respondeu que as sanções poderiam levar a uma "ruptura total dos laços".

Laurent Goetschel, diretor da Swisspeace, ONG suíça de promoção da paz, considera importante a realização do encontro Genebra, mas não espera decisões concretas. "São conversações importantes que ocorrem dentro da iniciativa lançada no primeiro encontro entre Biden e Putin em Genebra. Elas não apenas enviam uma mensagem aos países envolvidos, mas também ao mundo", afirma. e completa. "Ter um formato de interação, que não é um formato de crise iminente, mas algo acontecendo de forma mais ou menos regular, é muito importante para facilitar uma situação e construir um certo nível de confiança".

Emilia Nazarenko concorda. "Um consolo é ter pelo menos um diálogo, reuniões e conversas. É melhor essa situação de hostilidade sutil do que um conflito armado". Segundo a jornalista independente atuante para várias mídias de língua russa a partir de Genebra, especialistas militares ocidentais consideram que o número atual soldados russos estacionados na fronteira da Ucrânia seria insuficiente para uma invasão em larga escala. Mas ressalta que o governo ucraniano e a população temem a presença de tropas russas. Ela espera que a Rússia esteja apenas "usando a Ucrânia como um trampolim para enfrentar o Ocidente".

"Uma invasão é possível", avalia Goetschel, mas relativiza os riscos. "Manifestar preocupação e ameaçar seriam normais, mas na verdade o objetivo principal da Rússia não é preparar uma invasão da Ucrânia, mas sim obter certas concessões a nível político e diplomático do Ocidente".

Tradição de anfitriã 

Ao contrário da cúpula Biden-Putin em Genebra em junho, onde a Suíça atuou como anfitriã, o encontro de hoje ocorre na embaixada dos EUA em Genebra. No entanto, diz Nazarenko, "o status neutro da Suíça, sua longa experiência na organização e condução de negociações de cúpula, sua diplomacia multilateral e a localização do escritório europeu da ONU em Genebra" são fatores que levaram à escolha do local.

"Biden e Putin se encontraram em Genebra. Então é normal que essas conversações tenham continuidade se ocorre no mesmo local", acrescenta Goetschel. "Mas pode-se também dizer que, em termos de tradições Leste-Oeste e olhando para o período da Guerra Fria, a Suíça e Genebra são onde ocorreram muitos intercâmbios importantes".

Nazarenko observa que uma conferência sobre reformas na Ucrânia deverá ser realizada em LuganoLink externo, no cantão do Ticino, em julho de 2022. "Espero que até lá o risco de conflito na Ucrânia já tenha passado."

Adaptação: Alexander Thoele

Em conformidade com os padrões da JTI

Em conformidade com os padrões da JTI

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Os comentários do artigo foram desativados. Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Modificar sua senha

Você quer realmente deletar seu perfil?