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Pequenas empresas e grandes inovações: "startups" suíças

Um novo tipo de reator nuclear utilizando tório; uma máquina que fabrica pele humana para enxerto; tecnologias de reciclagem de garrafas PET que consomem menos energia: a criatividade das startups suíças não tem limites. Suas inovações fazem sucesso no mercado internacional.

Este conteúdo foi publicado em 07. fevereiro 2022 - 14:00
Skizzomat (ilustração)

Há mais de dez anos, a Suíça ocupa o primeiro lugar no Índice de Inovação GlobalLink externo publicado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual. 

Até agora, os recursos para pesquisa e desenvolvimento de produtos de ponta estavam concentrados em multinacionais - Nestlé, Novartis, Roche, ABB, Givaudan ou Swatch - e em empresas de médio porte que conseguiram ocupar importantes nichos de mercado em escala global.  

Nos últimos anos, porém, a inovação também começou a florescer no setor inicial, com pequenas empresas inovadoras e com alto potencial de crescimento. Cada vez mais jovens empreendedores seguem este caminho para desenvolver e comercializar suas descobertas.

Hoje, são criadas cerca de 300 startups a cada ano, em comparação com apenas algumas dezenas na primeira década deste milênio. O montante de capital investido nelas aumentou quase dez vezes nos últimos dez anos e bateu na marca de três bilhões de francos suíços em 2021. 

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Apesar do sucesso, as startups suíças ainda recebem pouco apoio dos políticos e sociedade. Uma razão é a aversão ao risco, um sentimento ainda marcante na Suíça como explica a investidora Gina Domanig na entrevista abaixo.

Além disso, o lançamento de um startup ainda é, em grande parte, um domínio de homens. Os estereótipos ainda são fortes e as mulheres sofrem mais para conquisatar a confiança dos investidores.

Tradição e inovação

Mais da metade das startups surgem nas regiões de Zurique e do Lago de Genebra, onde a presença das Escolas Politécnicas Federais (EPFLLink externo em Lausanne e ETHLink externo, em Zurique) desempenha um papel fundamental na pesquisa e desenvolvimento de aplicações científicas e tecnológicas.

Muitas empresas emergentes se beneficiam dos conhecimentos de ponta adquiridos nos principais setores de inovação, seja na indústria farmacêutica, no setor de microtecnologia ou de serviços financeiros. Ao mesmo tempo, as startups contribuem para a regeneração desses setores tradicionais, oferecendo-lhes saídas para novos mercados, por exemplo ao atuar em áreas como a biotecnologia, medtech ou cleantech. 

Portanto, não é uma surpresa que, ao lado de bancos com cem anos de história, inúmeras startups fintech tenham surgido nos últimos anos. Já as de microtecnologia estão revolucionando a indústria relojoeira tradicional.

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Como é o mundo das empresas emergentes na Suíça? Aqui estão as mais recentes reportagens sobre as startups suíças.

Energia e tecnologias limpas: Em Genebra, Transmutex desenvolve um novo tipo de reator nuclear que utiliza tório. Este metal não só é muito menos radioativo do que o urânio, mas também está presente em abundância nas rochas de quase toda a crosta terrestre. Esta inovação poderia facilitar a transição energética para uma sociedade livre de CO2.

O empresário Laurent Jospin planeja instalar 47 mil painéis solares em uma estrutura metálica de 1,6 km de comprimento na rodovia A9 no cantão do Valais. O objetivo é produzir eletricidade para doze mil residências a cada ano. Sua empresa, Energypier, já executa um projeto piloto semelhante em 2,5 quilômetros de uma rodovia nas cercanias de Zurique. Seu objetivo é abastecer 20 mil lares.

Em Sion, no cantão de Valais, a pesquisadora e empresária canadense Samantha Anderson desenvolveu uma nova técnica de reciclagem de garrafas PET que consome muito menos energia do que os métodos atualmente utilizados. Ela pretende comercializar esta inovação e estendê-la a outros tipos de plástico nos próximos anos.

Tecnologia médica: A Cutiss desenvolveu a primeira máquina capaz de gerar pele em grandes quantidades a partir de uma amostra retirada do próprio paciente. Uma verdadeira esperança para as mais de 11 milhões de pessoas que sofrem queimaduras graves a cada ano no mundo inteiro.

Medtech: A startup Aktiia acaba de lançar a primeira pulseira inteligente capaz de medir continuamente a pressão arterial. Uma inovação que nasceu na cidade de Neuchâtel e que coloca a Suíça na vanguarda de um mercado altamente cobiçado pelos gigantes tecnológicos americanos e asiáticos.

Comunicação: depois de desenvolver drones autônomos para realizar estudos científicos e inspeções em lagos e mares, a startup Hydromea criou a primeira rede de cabos submarinos wifi. O modem usa feixes de luz para transmitir dados e rastrear remotamente os robôs, sem fios.

Lixo: larvas da mosca-soldado podem reciclar enormes quantidades de resíduos orgânicos para produzir ração animal, biocombustíveis e fertilizantes, sem o uso de matéria-prima. A ideia revolucionária da startup TicInsectLink externo.

Energia: a União Europeia conta com uma startup suíça para relançar a produção de painéis solares na Europa, hoje dominada pela China. Insolight desenvolveu uma tecnologia fotovoltaica altamente eficiente, que abre novas perspectivas para o setor.

Plásticos: Bloom Biorenewables usa madeira, palha, caroços de cerejas ou casca de nozes para fazer bioplásticos, têxteis, cosméticos e perfumes.

Habitação: uma startup fundada na Suíça por duas celebridades ajudam a diminuir o problema da falta de moradias no mundo: transformando dejetos plásticos em casas.

Tecnologia de segurança: ID Quantique, uma jovem empresa de Genebra resolveu o problema ao utilizar os princípios da mecânica quântica de Albert Einstein para criar um sistema de encriptação infalível..

Finanças: novos bancos digitais estão surgindo na Suíça sem uma única agência ou balcão.  Um deles, o Neon de Zurique, está apostando em fazer mais com menos e já atraiu 30 mil clientes.

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