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Os riscos de investigar a máfia na Itália

A Itália terá um novo governo após as eleições do final de setembro. Porém isso não muda a situação dos jornalistas que cobrem o crime organizado. Uma delas precisa até ser protegida 24 horas por dia: Federica Angeli, mais uma entrevistada da série "Vozes globais da Liberdade".

Este conteúdo foi publicado em 18. outubro 2022 - 11:00
Bruno Kaufmann, Michele Novaga

A jornalista italiana Federica Angeli, 46 anos, vive sob proteção policial há muitos tempo. Tudo começou ao investigar um grupo mafioso atuante nas cercanias de Roma. "A liberdade de expressão é para mim a liberdade de poder contar coisas que ninguém quer contar", explica.

Há vinte anos publica suas reportagens investigativas no jornal diário La Repubblica.

Desde que escreveu sobre mafiosos de Ostia, vilarejo vizinho à Roma, Angeli começou a receber ameaças. "Com esta investigação também sofri pressão da sociedade, pois havia uma resistência cultural em Roma de acreditar na existência de uma máfia local. Muitos pensam que o crime organizado só existe no sul da Itália", declarou na sede do La Repubblica sob o olhar vigilante de dois policiais.

Graças às suas investigações, um bando criminoso liderado pela família Spada, que cobrava dinheiro de proteção de comerciantes locais, foi desmantelado. Em janeiro de 2022, a Justiça italiana condenou mais de 17 pessoas ligadas à clã Spada

A jornalista recebeu a Ordem do Mérito da República Italiana das mãos do presidente italiano Sergio Mattarella em 2015. Três anos depois publicou o livro "Uma mão desarmada", que chegou até a inspirar um filme dirigido por Caludio Bonivento, com atriz Claudia Gerini interpretando o papel de Angeli.

Angeli é uma das 27 jornalistas vivendo sob proteção policial na Itália. "Não é uma situação normal", critica. "Pelo contrário: é uma anomalia que afeta colegas de outros países da Europa e outras partes do mundo. Há algo obviamente não está funcionando bem na nossa sociedade".

Adaptação: Alexander Thoele

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