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Muitos oligarcas russos ainda vivem na Suíça

Várias manifestações na Suíça incluíram demandas para reprimir os bens oligárquicos. Imago/russian Look

A Suíça é um dos destinos globais favoritos dos bilionários russos com vínculos com o Kremlin.

Este conteúdo foi publicado em 28. março 2022 - 14:00
swissinfo.ch

Múltiplos passaportes, vistos e residências dificultam a localização exata dos oligarcas. Advogados e consultores se ocupam de ocultar o rastro das suas fortunas através de empresas "fantasmas" e construções financeiras complexas.

É difícil separar a realidade da ficção, mas alguns traços de cidadãos russos sancionados ainda podem ser encontrados na Suíça. E isso não apenas nos bancos do país.

Residentes confirmados

Um dos oligarcas mais conhecidos é Viktor Vekselberg. O bilionário de origem russa chegou em 2007 e fixou residência, apesar de sofrer sanções desde 2018 (por imposição da lei CAATSA, assinada por Donal Trump) e outras medidas mais recentes.

Ao chegar na Suíça, Vekselberg anunciou uma série de aquisições de empresas através da sua holding Renova. As sanções impostas após a invasão russa da Crimea forçaram o empresário a reduzir sua participação no mercado suíço para evitar expor essas empresas a restrições comerciais.

Em março, os Estados Unidos confiscaram seu iate um jato, o acusando de ter laços estreitos com Vladimir Putin.

O jornal Tagesanzeiger confirma que existe outros quatro russos sancionados vivendo na Suíça: Andrey Melnichenko, Dmitry Pumpyanski (mais esposa e filho). Porém ainda não se sabe se Alina Kabaeva, a suposta amante de Putin e seu filho conjunto estariam no país.

Uma russo que definitivamente não está mais na Suíça é Alisher Usmanov. As autoridades do cantão de Vaud foram pressionadas a negar sua presença à imprensa, afirmando que o empresário que fez fortuna na exploração de  minério de ferro "não tem nenhum visto de residência na Suíça".

Dono de um clube de futebol

Segundo o jornal, Roman Abramovich, o oligarca russo conhecido por ser proprietário do time inglês de futebol. Chelsea, também tem ligações comerciais com a Suíça. Porém as autoridades policiais bloquearam seu pedido de residência em 2016, afirmando que o empresário "representava um risco de reputação e ameaça à segurança pública da Suíça".

Cerca de 85 russos possuem os chamados "vistos de ouro", como explicam as autoridades ao jornal. São documentos cedidos aos requerentes de residência na Suíça quando existe um "interesse público" do pais. Geralmente são pessoas dispostas a investir muito dinheiro ou aportar grandes capitais. 

Abramovich entrou com recurso na Justiça helvética para obter o visto, mas sem sucesso.

Chalés alpinos

O conflito na Ucrânia fez com que autoridades e mídias passassem a buscar nas montanhas ou lagos na Suíça sinais aparentes de riqueza dos oligarcas sancionados. 

O chalé de luxo de Petr Aven nas montanhas do cantão de Berna foi confiscado há pouco. O russo é um dos principais acionistas da empresa acionista majoritária do maior banco russo, Alfa.

Os jornais do país indicaram outros oligarcas com propriedades no país como Gennady Timchenko. Em 2014, o russo foi forçado a vender sua participação na empresa de comércio de petróleo Gunvor, operante em Genebra.

Enquanto as autoridades declaram estar congelando ativos, incluindo propriedades, estas muitas vezes relutam em dar detalhes das operações, citando regras de confidencialidade.

Danos colaterais

Evgeni Smuschkovich, ex-representante do Julius Bär na Rússia, foi forçado a renunciar por ter ligações com um oligarca russo sancionado. O banco suíço declarou que a decisão foi para "proteger o banco", sem dar mais detalhes.

Porém o portal de informações financeiras insideparadeplatz.chLink externo informa que Smuschkovich é casado com a filha de um oligarca bielorrusso, Mikalai Varabei, sancionado pelos seus vínculos com o presidente Alexander Lukashenko.

Empresários russos também são atraídos à Suíça por outras razões, além de bancos e negócios. Escolas e hospitais privados atraem clientes ricos de todo o mundo. Os russos também enviam seus filhos a escolas como o Lyceum Alpinum ou o Instituto Rosenberg. Hospitais da cadeia Hirslanden e a Clínica Schloss Mammern também se especializaram no tratamento desse grupo exclusivo. 

Adaptação: Alexander Thoele

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