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Geleiras suíças encolhem ainda mais após calor extremo de 2018

As temperaturas extremas no ano passado, incluindo um dos verões mais quentes já registrados na Suíça, foram devastadoras para as geleiras do país, revela um novo estudo.

Este conteúdo foi publicado em 22. outubro 2018 - 11:00
Medidas desesperadas: mantas para proteger o gelo na geleira do Ródano, na Suíça. Keystone

Um inverno excepcionalmente nevado não foi suficiente para compensar o verão extremo, que causou a perda de 2,5% do volume das geleiras, informou a Academia de Ciências da Suíça.

A perda adicionou-se a uma tendência de longo prazo que viu as geleiras suíças perderem um quinto de seu gelo na última década; o suficiente para cobrir todo o país em 25 cm de água.

Portanto, o ano de 2017-2018 não é apenas um dos recordes de temperatura e seca, mas também um dos piores registrados nas geleiras, após o verão de 2003.

E, no entanto, o inverno parecia ter compensado bem as perdas: os níveis de neve nas montanhas no final da temporada eram os mais altos em 20 anos (as camadas de neve protegem as geleiras do sol, assim como - em alguns casos - contribuem para o crescimento das geleiras).

No entanto, isso não foi páreo para um verão que acabou sendo o terceiro mais quente já registrado, um verão que também causou problemas para os agricultores devido à seca generalizada.

"Desde o início dos registros, 81 anos atrás, nunca houve tão pouca neve fresca no verão", escreveram os autores do relatório.

Como exemplo, eles citaram as medições na montanha Weissfluhjoch, no sudeste da Suíça, onde entre 17 de maio e 4 de setembro não ocorreu nenhuma queda de neve de mais de 1 cm.

De fato, “durante 87% dos dias de verão, as temperaturas, mesmo a essa altitude [2.540 metros acima do nível do mar], nunca conseguiram chegar abaixo de zero”, disseram.

Matthias Huss, diretor da rede suíça de dados sobre geleiras, GLAMOS, não teve dúvidas em apontar a culpa: "o encolhimento das geleiras está diretamente ligado à mudança climática", declarou à agência de notícias AFP.

"As geleiras são muito sensíveis a altas temperaturas do ar, que estão claramente ligadas a maiores concentrações de CO2 na atmosfera", disse, acrescentando que se o aquecimento continuar no mesmo ritmo, muitas geleiras menores desaparecerão completamente nos próximos anos.


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