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Embargo da UE ao ouro da Rússia pressiona Suíça para tomar uma decisão

As sanções da União Europeia contra o ouro russo refletem esforços mais amplos para comprometer a capacidade de Moscou de financiar a guerra contra a Ucrânia. Também reflete a preocupação de que os oligarcas russos estejam usando este ativo para escapar das sanções internacionais. Keystone / Martin Ruetschi

A União Europeia proibiu a entrada de ouro de origem russa como um aprofundamento das sanções contra Moscou pela guerra na Ucrânia. A questão agora é se a Suíça, um importante comprador global de ouro, seguirá o exemplo.

Este conteúdo foi publicado em 03. agosto 2022 - 17:00

“Esta é uma boa oportunidade para o Conselho Federal Suíço também endurecer as sanções contra a Rússia e finalmente se abster de importações diretas ou indiretas de ouro russo”, disse a ONG Swissaid em um comunicado na sexta-feira. “Esta é a única maneira de garantir que a Suíça não apoie a Rússia na cruel guerra contra a Ucrânia.”

As sanções da UE proíbem a compra ou transferência direta e indireta de ouro originário da Rússia. A restrição entrou em vigor em 22 de julho. Depois do setor enegético, o ouro representa uma das exportações mais significativas para a Rússia. Em 2020, movimentou mais de US $18,9 bilhões (CHF 18,2 bilhões), de acordo com o Observatório de Complexidade Econômica (OEC), que analisa dados de comércio internacional.

Ainda em 2020, a maior parte do ouro da Rússia foi para o Reino Unido (US $16,9 bilhões), segundo o OEC. Mas a Suíça, que abriga muitas das maiores refinarias do mundo, aparece como o segundo principal destino do ouro de origem russa (US$ 693 milhões em transações).

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Até agora, a Suíça aderiu a todos os pacotes de sanções que a UE adotou após o início das agresões militares russas na Ucrânia.

“Tomamos nota da decisão da UE de adotar novas medidas contra a Rússia, incluindo um embargo às importações de ouro”, disse a Secretária de Estado para Assuntos Econômicos (SECO) à SWI swissinfo.ch em um comunicado por e-mail.

“Cabe ao Conselho Federal decidir se a Suíça adotará essas novas medidas”, acrescentou, sem fornecer um cronograma para tal decisão. “Ao fazer isso, o Conselho Federal também avaliará e considerará o possível impacto da proibição.”

A London Bullion Market Association (LBMA) disse que não acredita que as novas restrições tenham um grande efeito no mercado suíço, uma vez que as refinarias suíças credenciadas pelo LBMA já operam sob as sanções ao ouro russo aplicadas pelos EUA em 24 de junho e seguidas pelo Reino Unido, Canadá e Japão. As refinarias credenciadas pela LBMA da Suíça são Argor-Heraeus, Metalor, MKS Pamp, PX Precinox e Valcambi.

“Não vimos nem prevemos qualquer interrupção no comércio no mercado de ouro OTC [de balcão] após as sanções da UE”, disse o LBMA.

Perspectiva de Moscou

Moscou pintou um quadro diferente, dizendo que as medidas mais recentes prejudicariam a economia global. "As consequências devastadoras das sanções da UE em vários segmentos da economia e segurança globais estão se tornando cada vez mais óbvias", disse uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia em comunicado citado pela Reuters.

O World Gold Council disse à SWI swissinfo.ch que era difícil quantificar o impacto, pois havia informações limitadas disponíveis sobre as exportações russas de ouro. “Dito isso, a Rússia é o segundo maior produtor de ouro do mundo e pode tentar vender seu ouro para países que não impuseram sanções. Também pode vender internamente para investidores e para o Banco Central da Rússia.”

A Suíça atualmente proíbe a exportação de ouro para a Rússia. As importações são tecnicamente permitidas, mas tem sido evitadas por razões éticas. No entanto, desde 7 de março, não é possível comercializar barras de ouro produzidas por refinarias russas. Desde essa data, o LBMA suspendeu seis refinarias de ouro russas de seu sistema de credenciamento Good Delivery.

Contudo, a importação de três toneladas de ouro russo para a Suíça em maio e 284 kg em junho levantou suspeitas na Suíça. O Departamento Federal de Alfândega e a Segurança de Fronteiras já haviam notado que este ouro poderia ter sido produzido antes de 7 de março e, portanto, não estaria sujeito às sanções atualmente em vigor na Suíça.

Mas a Swissaid aponta em sua declaração de sexta-feira que ainda não está claro se essas importações inesperadas de ouro em maio e junho vieram de indivíduos sancionados ou de outras entidades e, portanto, constituem lavagem de dinheiro.

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Oportunidade de esclarescer

As importações controversas também revelaram as diferenças entre a interpretação das regras no setor suíço de metais preciosos. O setor agora está dividido entre o recém-fundado Instituto Suíço de Metais Preciosos e a Associação Suíça de Fabricantes e Comerciantes de Metais Preciosos (ASFCMP), que afirma representar 90% do setor de ouro suíço.

“Qualquer risco de participar do mercado de guerra através da compra de ouro russo não pode ser aceito pela ASFCMP e seus membros”, disse a ASFCMP no início deste mês.

Já o Instituto Suíço de Metais Preciosos considera que o ouro produzido pelas refinarias russas após 7 de março pode ser importado e processado por avaliadores comerciais na Suíça.

“Um embargo ao ouro russo forneceria clareza. A importação de ouro russo para a Suíça seria, portanto, proibida para todas as empresas”, diz Marc Ummel, chefe de commodities da Swissaid.

Adaptação: Clarissa Levy
(Edição: Fernando Hirschy)

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