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Combustível de aviação "verde" decola até 2030

A crise do coronavírus ofuscou a crise climática por um tempo. Mas com a retomada gradual do consumo e das viagens, as preocupações com o aquecimento global estão ressurgindo. Uma startup suíça está desenvolvendo um combustível para aeronaves produzido exclusivamente com água, energia solar e CO2. Será que este combustível neutro em termos de emissões porá fim à "vergonha de voar"?

Este conteúdo foi publicado em 03. junho 2020 - 15:30
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O protótipo da Synhelion instalado no ano passado no teto da ETH Zürich RSI-SWI

A SynhelionLink externo é uma empresa fundada por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zürich). Em meados de maio, junto com outra spin-off da ETH chamada Climeworks, Synhelion assinou uma carta de intenções conjunta com o Grupo Lufthansa para acelerar o lançamento no mercado de um combustível de aviação sustentável.

O objetivo não é criar novas aeronaves com emissão zero, mas desenvolver um combustível com emissão zero para as que já voam até 2030. Em outras palavras, a quantidade de CO2 liberada durante a combustão desse combustível seria equivalente à quantidade de CO2 capturada na atmosfera durante a sua produção.

Processo invertido

Mas como é possível produzir um combustível usando apenas dióxido de carbono, água e energia solar?

"Quando você queima um hidrocarboneto, com oxigênio, você tem uma liberação de energia e produtos de combustão que são CO2 e vapor d'água". Conceitualmente, esse processo pode ser revertido, como as plantas fazem com a fotossíntese e como o nosso método de recombinação de água e CO2 em hidrocarbonetos", explica o físico Gianluca Ambrosetti, CEO da Synhelion.

A partir do processo termoquímico que ocorre no reator desenvolvido pela startup, é obtida uma mistura de hidrogênio e monóxido de carbono chamada syngas. "É um pouco uma chave mestra para toda uma série de combustíveis sintéticos já produzidos industrialmente". Com processos de refino relativamente padronizados, ele é transformado em hidrocarbonetos em diferentes formas, como metanol e combustível para aviões", diz Ambrosetti.

Produção em várias etapas

O horizonte temporal para a produção industrial de combustível "verde" com este novo método é 2030, pois a eficiência dos reatores ainda é baixa. Entretanto, a empresa está trabalhando em paralelo em um combustível com 50% menos impacto.

Para desenvolver seu processo, a Synhelion está desenvolvendo diversos componentes. "Há um reator termoquímico, um receptor solar projetado para gerar as altas temperaturas necessárias para alimentar o reator, e então temos sistemas de armazenamento de energia térmica para poder operar, pelo menos no verão, 24 horas por dia", explica o físico.

A primeira instalação comercial prevista para 2024 é um parque solar de 25.000 metros quadrados que produzirá 5.000 toneladas de combustível por ano.

Synhelion

O objetivo da Synhelion é obter o primeiro combustível de baixo impacto já a partir de 2022, utilizando a energia do sol. Será apenas meio renovável, pois partirá de uma base de combustíveis fósseis. Um processo de transformação do gás natural "nos permitirá obter um combustível que tenha 50% menos emissões do que o combustível extraído da forma tradicional", revela Gianluca Ambrosetti.

Ainda não é a hora da eletricidade

O combustível verde "puro" planejado para 2030 poderá ser consumido pelas aeronaves de hoje? "Alguns componentes terão de ser adaptados, como é o caso de todos os combustíveis sintéticos, mas em princípio essas mudanças serão mínimas", diz Ambrosetti.

Mas por que apontar para um combustível verde, 50 ou 100 por cento, e não para aeronaves movidas a eletricidade, que parecem ser promissoras? "Elas são promissoras, mas são extremamente limitadas no momento", diz Ambrosetti. O problema é a densidade energética das baterias, que é muito menor do que a do combustível. A maior parte do trabalho, como a decolagem de um avião, não pode ser feita com propulsão elétrica, porque as baterias seriam simplesmente muito pesadas".

Poluição dos aviões

Os óxidos de nitrogênio têm um grande impacto sobre a poluição de baixa altitude. O aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, por outro lado, é o principal responsável pelo aquecimento global. As emissões da aviação respondem por 2 a 2,5% das emissões de CO2 produzidas pelo homem, de acordo com dados do Departamento Federal de Aviação Civil.

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