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A suíça-ucraniana que permanece em Kiev

Inna Lysenko está dormindo há dias no chão do apartamento em Kiev. zVg

Inna Lysenko dorme hoje no corredor do apartamento onde vive em Kiev. As janelas foram cobertas com plástico caso sejam destruídas por impacto de bombas. A suíça-ucraniana decidiu ficar por uma decisão pessoal.

Este conteúdo foi publicado em 04. março 2022 - 14:00
A suíça-ucraniana administra diversos shops online. conceptcreative.store

"Eu poderia ter ido embora", diz Inna Lysenko na primeira semana de intervenção militar russa na Ucrânia. Mas essa suíça-ucraniana permanece no centro de Kiev com seu parceiro. Sem planos de fugir para a Suíça, onde vivem o ex-marido e filho de 25 anos.

Inna está em estreito contato com sua família na Suíça. A cada hora eles lhes enviam notícias da imprensa. Mas ela mesma se apega apenas aos canais oficiais para não desafiar seu "sistema nervoso". Seu filho também sofre com a situação. Ele estuda na Universidade de St. Gallen e agora mal consegue se concentrar nos livros.

Inna Lysenko tem origem russa, mas nasceu em Kiev. Hoje ela administra um comércio online de venda de roupas na capital ucraniana. Ao telefone, diz que seu filho está com medo, mas ela se mantém tranquila.

Para se proteger de possíveis estilhaços, ela cobriu as janelas do apartamento com um plástico. zVG

Pronto para partir

Inna Lysenko não fala ha dez anos com seus pais, que vivem na Rússia. Suas atitudes em relação a Vladimir Putin são muito diferentes das suas, diz. "Minha perseverança talvez seja também um ato de rebeldia", reforça.

Durante alguns dias, Lysenko ouviu repetidamente as sirenes em seu apartamento, seguidas de detonações. Por isso tem problemas para dormir sem acordar no meio da noite. Por isso está sempre vestida. Na frente da porta do apartamento deixou uma mala já pronta, caso tenha de escapar imediatamente.

Ao lado de Inna Lysenko está o gato. Por ter o pelo negro, ela coloca um colarinho luminoso no pescoço do animal todas as noites. "Caso contrário, não a encontraríamos em uma emergência".

Os colchões ficam espalhados no corredor do apartamento. No chão ela e o parceiro estão mais bem protegidos caso a explosão de foguetes quebre os vidros das suas janelas. Por isso elas estão cobertas de plástico com fita adesiva. A porta da varanda foi fixada com um colchão. Lysenko colocou uma corda perto da janela.

Doações para Ucrânia

A organização benevolente Solidariedade SuíçaLink externo lançou uma campanha de arrecadação de fundos para ajudar a população cividl. As doações podem ser feitas através do site ou via depósito na conta 10-15000-6 do Banco dos Correios (Postbank), escrevendo como referência "Crisis in Ukraine".

Na primeira fase, a ajuda se concentrará no acolhimento de refugiados nos países vizinhos, especialmente Polônia. Solidariedade Suíça trabalha com outras organizações como Caritas, a Cruz Vermelha Suíça, HEKS, Helvetas, Medair, Médicos Sem Fronteiras e a Fundação "Terre des Hommes". Dependendo dos desenvolvimentos, pretende estender seu apoio a projetos de assistência dentro da Ucrânia. As doações serão utilizadas exclusivamente para ajuda humanitária.

Solidariedade Suíça é uma fundação independente e surgiu através de um programa de rádio. Hoje é considerada o braço humanitário da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SRG SSR), da qual a SWI swissinfo.ch faz parte.

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Se for necessário, o casal pode escapar para o segundo andar do bloco de apartamentos. É uma disposição cuidadosamente pensada. "Também pensamos em ficar no porão do prédio, mas estava muito frio por lá e não era cômido para dormir".

"Minha responsabilidade"

"No momento acho mais arriscado estar fora de Kiev", diz. Ela considera seguro seu apartamento próximo do rio Dneper. Ela não sai de casa há quinze dias. A despensa está cheia de alimentos desde o aparecimento da pandemia.

A embaixada sabe que ela e outros cidadãos suíços ainda estão na cidade. Até um contato foi feito nos últimos dias. O funcionários queria informar que seu passaporte suíço estava prestes a expirar. Uma possível partida, entretanto, não foi um problema. "É minha própria responsabilidade ficar por aqui", diz Inna Lysenko.

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